O que é um NFT?

Os NFTs são ativos digitais que asseguram autenticidade e titularidade e podem estar vinculados a aplicações em diversas áreas. Neste post vamos explicar sobre os NFTs em geral com a atenção voltada para os NFTs de arte.

Quando uma obra de arte é registrada como um token na blockchain, podemos chamá-la de cripto arte. As informações registradas são armazenadas na blockchain, e uma vez validadas não podem mais ser alteradas. Quando a transação é validada, é criado um certificado de propriedade, um contrato inteligente (ou smart contract).

Ao executar o código do contrato que foi registrado na blockchain, há uma garantia de que o que foi estabelecido no contrato será cumprido, sem que haja disputas ou apelações a diferentes interpretações, afinal é um computador que está executando um contrato escrito em linguagem de programação. Ora, o NFT nada mais que é um contrato inteligente.

Dito isso, ao criarmos um NFT a partir de uma arte digital estamos criando um contrato que estabelece como será a vida daquela obra na blockchain. Como os registros da blockchain não podem ser alterados, as regras do NFT vão durar “para sempre”, ou enquanto houver computadores validando as transações daquela blockchain.

Sabendo agora o que é um NFT, se esmiuçarmos a sigla em inglês que significa “Non-Fungible Token”, ou “Token Não Fungível”, encontraremos a definição de ser algo que não pode ser substituído, que não é fungível.

Para entender melhor o que é algo que não é fungível, é preciso entender o que é fungível. Uma cédula de cinquenta Reais é fungível, pois pode ser substituída por qualquer outra. O poder de compra da cédula de cinquenta Reais que está na sua carteira é o mesmo de qualquer outra. A mesma propriedade vale para as cripto moedas como bitcoin, ether ou tez.

Já uma obra de arte como “Abaporu”, da artista brasileira Tarsila do Amaral, não é fungível, já que se trata de um item único e que não se pode ser dividido ou substituído. Há um único exemplar dessa pintura a óleo sobre tela no mundo, que faz parte do acervo do Museu de Arte Latino-americana de Buenos Aires (MALBA).

Obra Abaporu de Tarsila do Amaral, acervo do MALBA

Tarsila do Amaral, “Abaporu”, óleo sobre tela, 85,3 x 73 cm, 1928.

Há muitos atrativos para os NFTs, tanto para quem cria (artistas, criadores), como para quem coleciona (compradores, colecionadores). Aqui vai uma lista de atrativos: o prazer de possuir algo exclusivo; a proteção e a segurança contra fraudes; a logística ágil com a transferência automática da posse do item; a rastreabilidade através de um histórico de transações; a garantia para criadores do NFT do direito de sequência no mercado secundário, com pagamento automático de uma porcentagem do valor quando o NFT é revendido; o incentivo aos artistas para explorarem novos campos nas artes; a ausência de barreiras geográficas e a facilidade da exposição no mercado internacional nas plataformas de NFTs.  

Os NFTs são também a porta de entrada para os metaversos, pois podem ser itens personalizados que vão servir para o seu avatar navegar por esses universos, como por exemplo uma roupa ou um calçado virtual. Um NFT de arte pode decorar seu apartamento em um metaverso que é a parte privada desses ambientes. Assim quando convidar alguém para conhecer sua casa virtual aquela pessoa vai visualizar as obras de arte na sala da casa.

Também, é possível criar uma galeria virtual de NFTs nos metaversos. Uma galeria 3D que era algo difícil e caro de ser criada, agora, está acessível a quem coleciona NFTs. Essa galeria da exposição Delicacy foi criada com obras do acervo de NFTs da Cripto Galeria em algumas horas de trabalho.  

Visão de Galeria 3D

Delicacy: exposição 3D da Cripto Galeria na plataforma oncyber.

Resumindo, o mais importante é saber que os NFTs vieram para ficar, pois endereçam três questões complexas para o mercado de arte:

  1. Autenticidade: que é garantida com o registro de seus criadores no contrato inteligente validado na blockchain;
  2. Procedência: a sequência de transações de compra e venda que são registradas na blockchain, o que, por definição, não permite que os registros destas transações sejam alteradas ou apagadas;
  3. Direito de sequência: fica registrado no NFT (o contrato inteligente) que autor(es) recebem royalties das vendas no mercado secundário, de toda e qualquer transação de revenda da obra.

 

Também é importante entender que os NFTs são comprados e vendidos em maketplaces. Assim, colecionadores que compram NFTs podem revendê-los depois, com o registro das transações na blockchain e o pagamento de royalties a criadores.

 

Os NFTs podem ser divididos, essencialmente, em três categorias: os NFTs colecionáveis, os NFTs de arte e os “outros”, que dizem respeito a outras aplicações.

 

NFTs colecionáveis

Os NFTs colecionáveis são itens colecionáveis, e normalmente são lançados com tiragem na casa dos milhares. Uma vez que é colecionado, o(a) dono(a) do NFT passa, automaticamente, a fazer parte da comunidade que o criou.

Quando já associado(a)s, seus membros ganham como benefícios entrar em um clube de vantagens, fazendo com que compradores não sejam e nem se vejam mais como clientes, mas sim, como membros que pertencem à comunidade. Assim, colecionar o NFT, também, é uma questão de pertencimento associada ao colecionável.

Atualmente, os NFTs que trazem alguma utilidade no mundo real são os que estão mais em voga. Por exemplo, para a turnê de shows do cantor Milton Nascimento, o público teve a oportunidade de escolher ter seu ingresso como um NFT. Assim, além de ser útil e permitir o acesso ao show, aquele ingresso passou a ser um item colecionado e negociado nas plataformas de NFTs. O artista pode receber uma parte do valor de revenda e todas as transações ficam registradas na blockchain. Além disso, as transações são transparentes e seguras, sem o risco de comprar um ingresso falso desde que o colecionador verifique a procedência do ingresso que está registrada na blockchain.

Agora, imagine que neste ano de 2023, depois da turnê, o cantor queira lançar um produto áudio visual com uma coletânea dos shows que fez por aí afora. Ele poderia oferecer com exclusividade a quem tem o NFT do ingresso, descontos especiais e por aí vai.

 

NFTs de arte

Os NFTs de arte são, em geral, as obras de arte digitais propriamente ditas. Quando as obras de arte digital são registradas na blockchain, são denominadas de cripto arte. O NFT é criado a partir de um arquivo da digital e de informações como a ficha técnica.

Ao criar um NFT de arte, também, é preciso definir sua tiragem, podendo ser apenas um exemplar de cada (1/1) ou múltiplas edições. Além disso, devem ser definidos os royalties do mercado de revenda. Uma vez criado o NFT não pode mais ser alterado, fica registrado na blockchain.

O mercado de cripto arte é descentralizado, ou seja, não depende de qualquer instituição ou governo, pois as blockchains são concebidas de tal forma. Mesmo assim, há uma instrução da Receita Federal que exige que os NFTs de maior valor façam parte da declaração de bens e, em dezembro de 2022, entrou em vigor uma lei que trata dos cripto ativos.  

Agora que você já sabe o que é um NFT e que eles vieram para ficar, já que resolvem três problemas do mercado da arte: autenticidade, procedência e o direito de sequência.  

 

 Maria Eduarda Mota, especialista em Museologia e colecionismo, entusiasta de cripto arte, NFTs e Web3, @mariaeamota

Igor Walter, engenheiro de computação, fotógrafo e entusiasta de NFTs, fundador da Cripto Galeria, @raspcwalter

 

Ressalva: Esta não é uma recomendação de investimento. Nem os autores, Maria Eduarda Mota e Igor Walter, nem a Cripto Galeria, podem ser responsabilizados por decisões de aquisição de NFTs. Colecionar um NFT é uma decisão de cada pessoa que deve fazer sua própria pesquisa (DYOR).

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